A presença de doenças crônicas traz como consequência uma fonte de estresse tanto para pacientes como para seus familiares. Esta situação pode ser vista como um momento de crise que desestrutura o sistema familiar. Uma vez instaurada a crise, o paciente e seus familiares dão início a um processo de ajustamento, em uma tentativa de adaptação frente à doença. Esta tentativa está muitas vezes relacionada com alterações físicas e do funcionamento psicológico. Alguns estudos relatam que a reação da família frente à doença pode afetar o bem estar do paciente e a sua recuperação. Assim a participação dos familiares durante o tratamento, pode funcionar como um auxílio, uma vez que estes fazem a ponte entre o ambiente da casa do paciente e o ambiente terapêutico do hospital.

A família pode ser vista como a principal rede social na qual o indivíduo se insere. Ela é definitiva como um grupo de pessoas que interage e que são interdependentes e , portanto, qualquer alteração em um de seus membros provoca mudanças nos demais e no sistema como um todo. Apesar disso, as intervenções realizadas para o manejo das situações de crise relacionadas à doença, são majoritariamente voltadas para o paciente, muitas vezes não reconhecendo a rede familiar.

Sendo assim, nos defrontamos com a necessidade de expansão do cuidado ao paciente, incluindo assim o cuidado ou a atenção prestada à família de forma integrada. Isto possibilita uma assistência mais abrangente e completa, favorecendo a melhor recuperação e adaptação do paciente à sua nova condição de saúde, ao incluir a família como parte integrante deste processo.

Dados da literatura demonstra que tanto durante o período mais agudo da doença, quanto na fase de recuperação durante a internação, pacientes e familiares apresentam aumento da ansiedade e distúrbios do humor de forma geral, modificações dos papéis desempenhados na família, dificuldades para compreensão do significado da doença para a modificação dos hábitos de vida. Neste sentido, vale ressaltar a importância de algumas alternativas de intervenções possíveis, tais como os grupos de suporte voltados tanto para o acompanhamento de pacientes como de familiares. A possibilidade de compartilhar experiências pode auxiliar na transmissão de informações importantes, na redução dos níveis de ansiedade, e na redefinição de papéis e formas de relacionamento.

Artigo escrito por Christine Rutherford e Paula Nascimento. Publicado no Jornal ZEN CULTURAL ano II, número 18, maio 2007