Publicado por Eliane Farah CRP nº 05/7347 no site www.conteudosaude.com.br no dia 20 de julho de 2011.

A influência dos fatores iniciais na relação do casal, que podem favorecer a constituição de uma relação duradoura, estável e satisfatória, não pode ser avaliada isoladamente, tudo depende dos aspectos individuais de cada pessoa e da combinação das tendências. Por exemplo, a segurança financeira pode ser pouco importante para um jovem casal e ser fundamental num outro momento da relação. Isso significa que o casamento não é um estado permanente da relação de um casal, ele é um processo vivo que se constrói a cada momento e necessita ser reconfigurado através de infindáveis ajustamentos criativos.

Discorrer sobre os fatores positivos não é algo difícil, se comparado a quantidade daqueles aspectos que devem ser observados com muita atenção, uma vez que agem como minas de explosivos enterrados pela estrada da vida do casal.

Assim, antes de comentar sobre os fatores positivos em relação aos casamentos duradouros, é fundamental apontar alguns dos fatores que podem ser considerados como negativos à felicidade conjugal, ou em outras palavras ao bem-estar ou à saúde do casal.

A crença de que o verdadeiro amor é capaz de superar todos os desafios faz parte de uma concepção de amor romântico e, ironicamente, casamentos podem chegar ao fim, ainda que deixem como legado o sentimento de amor compartilhado pelo casal.

Os pré conceitos são idéias que introjetamos, principalmente de nossas famílias de origem, e são conclusões, muitas vezes equivocadas, sobre o casamento, como por exemplo: o casamento é para a vida toda; o casamento deve girar em torno dos filhos; o casamento é sacrifício e renúncia; etc.

A busca do príncipe ou da princesa encantados, do homem ou da mulher perfeitos, aqueles que devem ser lindos, bem sucedidos e poderosos, bem como as fantasias do “foram felizes para sempre” e da alma gêmea, são fatores que geram uma expectativa equivocada de que não pode existir qualquer problema ou frustração na relação.

Quando a pessoa se casa sem ter muita clareza daquilo que quer e, em conseqüência disso, não possui critérios claros de escolha de parceiro, pode experimentar um sentimento cada vez mais forte de que algo está faltando no casamento e com a mesma falta de clareza começa a olhar para o mundo em volta e ter inveja da vida dos solteiros, achando-a, por exemplo, mais emocionante e cheia de novidades.

Crenças do tipo: “isso era antes de me conhecer”. “eu posso amar por nós dois”, o meu amor pode salvá-lo (a)”, “quando casar vai passar” e tantas outras sustentadas por uma postura onipotente diante da vida, podem resultar numa luta inglória.

A baixa auto-estima, o medo da solteirice ou a preguiça de investir em novas buscas são algumas das questões básicas da pessoa que insiste em permanecer no sofrimento.

Se unir a alguém por gratidão também é mais uma armadilha para se cair na frustração. Aquela pessoa “tão boa” que esteve com você e com a sua família durante um período muito difícil agora aguarda o seu pagamento.

A mulher solteira que se une ao descasado costuma esperar do homem a mesma expectativa que ela tem em relação à constituição de uma família e alimenta sentimentos de mágoa e rejeição quando na percebe a reciprocidade de expectativas.

Também é comum para a solteira a rejeição aos filhos do marido, vendo-os como empecilhos à sua felicidade conjugal ou adversário na conquista do afeto do marido.

Outras condições negativas que antecedem ao casamento e são comprovadas cientificamente podem ser resumidas nas seguintes condições:

Casar jovem demais; casamento decidido pela gravidez; casar para se afastar da família de origem; morar longe ou perto demais da família de origem, casar antes de um ano de conhecimento ou da perda de pessoa significativa; dependência financeira da família; grande diferença de idade, classe social, religião e valores morais.

Além dos aspectos relacionados às características e expectativas de cada membro do casal, consideradas negativamente intervenientes e apontadas anteriormente, podemos citar alguns comportamentos que podem significar que a relação está doente:

Não saem sozinho; não saem juntos; brigam o tempo todo; um se omite para não defender o outro; depreciação; falta de companheirismo; escarnecer do sofrimento do outro; trazer à tona as discussões anteriores; violência física; desleixo com a aparência e quando há uma constante sensação de tensão corporal, um enrijecimento muscular, uma sensação de que é impossível relaxar na presença do outro.

Morar junto tem se tornado uma prática muito comum entre os casais na atualidade – é o teste drive. O morar junto em si não trás nenhum problema para o casal, mas começa a ser fonte de problemas quando um deles, mais comumente a mulher, não concorda com a prática, mas aceita para não perder o parceiro e continua sonhando com o dia do sim ou com o momento de receber as alianças.

Muitos moram juntos, e embora sob o olhar da justiça tenham uma relação estável, se autodenominam como noivos o que caracteriza uma negativa em assumir a condição de casamento.

Depois de todos esses aspectos enfim podemos chegar àqueles que de fato colaboraram para a estabilidade e satisfação nos casamentos e, como não poderia deixar de ser, devem ser atitudes de ambos e que podemos resumidamente apresentar como:

Esforço para fazer dar certo; conhecer os próprios defeitos; aceitar os defeitos do outro; não querer transformar a pessoa em outra e senso de humor.

Algumas dicas valiosas para saber se você está no caminho certo podem ser:

Desde o primeiro encontro vocês pareciam velhos conhecidos; você é você mesmo, sem reservas e você experimenta sentimentos de paz e segurança.

Pode ficar parecendo que depois de tudo isso os 12 trabalhos de Hércules sejam brincadeiras de criança se comparados à construção de um casamento duradouro, estável e satisfatório, mas não é bem assim porque podemos resumir tudo o que foi dito afirmando que um casamento feliz depende basicamente de que para ambos exista uma auto-estima preservada, uma congruência de valores morais e por que não dizer uma boa dose de elegância.